quarta-feira, 30 de novembro de 2011

EDUCAÇÃO SUPERIOR INDIGENA: lutas e contradições

EDUCAÇÃO SUPERIOR  INDIGENA: lutas e contradições

Ao participar da Audiência Pública na Assembléia Legislativa de Mato Grosso do Sul no dia 11/11/2011, cuja proposta do encontro foi dar continuidade às lutas por políticas públicas que garantam a permanecia dos indígenas nas universidades, como também, debater os programas de apoio institucional que auxiliam nas carências financeiras das suas respectivas famílias. 
Pois bem, o que é certo e chama a atenção de nós professores é o índice de evasão apresentado pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul – UEMS, girando na casa de 40%. Mesmo se tratando de um dado preliminar da instituição e, pensarmos numa estimativa de 700 acadêmicos matriculados nas Universidades Públicas, Comunitárias e Privadas do Estado - (dados informados pela assessoria do Deputado Pedro Kemp) - fica evidente a existência de uma situação crítica que merece nossas reflexões.
Para isso, faz-se necessário observar quais as discussões que referendam “políticas” de apoio intra e extra-escolar. Assim sendo, urge a superação, porque tais fontes se revelam instrumentos imediatos e privilegiados dos alvissareiros das trocas de “favores”, ofuscando o real conhecimento que verticalize a educação indígena centrada no processo de sua produção material e humana. 
Não se trata de negar a política enquanto categoria para o nosso entendimento, porém, ao ser enfatizado de forma equivocada, não permite a explicitação dos valores contrários aos reais interesses indígenas.
Sobretudo por não revelarem o sentido real à educação moderna forjada no interior da luta de classes, norteada de contradições sociais oriundas de épocas em que foram produzidas na sua forma e conteúdo, de alguém que pensa, para outro que executa, ou seja, não respeitando as condições históricas da sua materialidade, como a propriedade privada, divisão social do trabalho que reforça a divisão de classes sociais, fazendo com que o processo cultural ideológico de “uma educação para todos” opere na supremacia de um sobre o outro, alienando-o e mercantilizando-o sob as condições mercadológicas do trabalho e do consumo.
Observado o germe das contradições, passa ser fundamental entendermos de qual educação é necessária para podermos criar as reais condições para o nosso trabalho educativo, sobretudo quando observamos os parâmetros políticos legais na referida Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB Nº 9394/96, nos seus Art. 78 e 79, onde de forma objetiva anuncia seus pressupostos nos seus respectivos incisos.
Não cabe aqui discorrê-los, mas proclamarmos a leitura crítica do seu conteúdo relativamente autônomo, que nem sempre é observado na forma de entendê-la historicamente na sua totalidade, no que se refere ao O querem de nós? Para daí, não de forma ingênua... Lutarmos para o que queremos de concreto para nós.
Portanto, a “educação” indígena como “trabalho” educativo, assume a categoria central para o nosso entendimento do processo de produção da materialidade humana, apropriando-se como sujeito da sua história com relação à sua natureza, no sentido de humanizá-la em seu benefício, como também, socializando-a em prol do contexto societário em que vive.  
Cabe então a nós fazermos uma (re) leitura da nossa materialidade humana, a começar pelo nosso entendimento de sociedade, apreendendo seus condicionantes econômicos, políticos e culturais produzidos pelos próprios homens no decorrer da nossa história. Caso contrário, qualquer forma de violência coercitiva ou persuasiva confirmam o seu caráter alienante baseado na propriedade privada, que resultam em interesses antagônicos entre as classes sociais, onde a evasão vem confirmar a desapropriação do homem (estudante indígena) de si pela exclusão de sua própria humanidade.  

      
Dr. José Barreto dos Santos – zecajbs@uol.com.br
Professor da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul/UEMS – Unidade de CG

Um comentário:

  1. Elinéia Luiz Paes Jordão1 de dezembro de 2011 16:02

    Acredito que se deve fazer uma releitura do ensino aprendizagem levando em consideração a realidade e o que vem a ser realmente a educação indígena e não a "educação para o índio", a interculturalidade esta presente e não podemos fugir dela. É de fundamental importância que haja um diálogo significativo entre os conhecimentos científicos ensinados na universidades e os conhecimentos tradicionais indígenas, não necessáriamente um conhecimento restrito mais amplo e adequado. Porém os profissionais da educação devem estar preparados e capacitados para este ensino aprendizagem.
    Professora indígena Elinéia Luiz Paes Jordão
    Academica de letras da UFMS-Campus de Aquidauana
    email: preta_terena@yahoo.com.br

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